Poucos temas despertam tanta dor e debate entre os cristãos quanto Cristão Pode se Divorciar e Casar de Novo. Muitos irmãos e irmãs carregam cicatrizes de relacionamentos que não deram certo, e outros vivem com dúvidas profundas sobre o que a Bíblia realmente permite. Será que um crente pode se divorciar? E, em caso de divórcio, existe a chance de casar novamente diante de Deus?

Este artigo não pretende julgar nem condenar, mas sim abrir a Palavra de Deus e refletir sobre ela com graça e verdade. O desafio é grande, mas a Escritura nos dá princípios claros que podem trazer luz, esperança e direção. Vamos analisar o plano original de Deus, as chamadas cláusulas de exceção em Mateus e em 1 Coríntios, além das diferentes perspectivas sobre o novo casamento.

O Plano Original de Deus: Uma Só Carne

Antes de falarmos sobre permissões e exceções, precisamos entender qual era o propósito original de Deus para o casamento. Em Gênesis 2:24 lemos:

“Portanto, deixará o homem, o seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.”

Esse texto mostra que o casamento é uma união permanente, criada por Deus, na qual duas pessoas se tornam uma só. Não é somente um contrato social, mas uma aliança espiritual. Jesus reafirmou essa verdade em Marcos 10:9:

“Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe.”

Ou seja, o plano de Deus nunca foi que o casamento terminasse em divórcio. A vontade divina é que marido e mulher vivam em amor, fidelidade e compromisso até a morte. É nesse ponto que entendemos a gravidade do divórcio: ele quebra algo que Deus idealizou como permanente.

As Permissões: As “Cláusulas de Exceção” – Cristão Pode se Divorciar e Casar de Novo

Cristão Pode se Divorciar e Casar de Novo

Embora o ideal de Deus seja a indissolubilidade do casamento, a própria Bíblia reconhece que, devido à dureza do coração humano, o divórcio acontece. Foi nesse contexto que Jesus e o apóstolo Paulo mencionaram situações específicas onde o divórcio pode ser permitido.

1- A cláusula de exceção em Mateus 19:9

Jesus disse:

“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra, comete adultério.”

Essa é a chamada cláusula de exceção Mateus. A expressão “relações sexuais ilícitas” vem do termo grego porneia, que pode se referir a infidelidade conjugal ou outras formas graves de imoralidade sexual. Nessa situação, Jesus reconhece que o cônjuge inocente tem o direito de se divorciar.

2 – A permissão em 1 Coríntios 7:15

O apóstolo Paulo escreveu:

Se o descrente quiser separar-se, que se separe; em tais casos não fica o irmão, ou a irmã, sujeito à servidão; mas Deus nos chamou para a paz.

Aqui, a permissão se refere ao abandono por parte de um cônjuge incrédulo. Se o marido ou esposa que não segue a Cristo decide ir embora, o crente não é obrigado a manter-se preso a essa situação.

Essas duas passagens formam a base bíblica para os casos em que o divórcio do crente pode ser considerado legítimo diante de Deus. Mas isso nos leva a uma questão ainda mais delicada: nesses casos, seria permitido contrair um novo casamento?

E o Novo Casamento?

Entre os cristãos, existem diferentes interpretações sobre o novo casamento após um divórcio permitido pela Bíblia. Vamos destacar as três principais correntes teológicas:

1 – Novo casamento é permitido em caso de exceção

Muitos estudiosos entendem que, se Jesus abriu uma exceção para o divórcio em caso de infidelidade, então o casamento subsequente não seria adulterino. Ou seja, o cônjuge inocente teria a liberdade de casar novamente.

Essa visão também considera que, em 1 Coríntios 7:15, o abandono por parte de um incrédulo liberta o crente, incluindo a possibilidade de um novo matrimônio.

2 – Novo casamento nunca é permitido:

Outros intérpretes afirmam que, mesmo nos casos de exceção, o cônjuge que se divorcia deveria permanecer solteiro ou reconciliar-se. Para esse grupo, qualquer novo casamento enquanto o primeiro cônjuge ainda vive seria adulterino, baseado em textos como Romanos 7:2-3.

3 – Novo casamento é possível pela graça

Há ainda uma corrente que enfatiza a graça de Deus. Ela entende que, embora o divórcio nunca seja o ideal, mesmo quem se divorciou em circunstâncias não bíblicas pode encontrar perdão e uma nova chance de reconstruir sua vida. Essa visão se apoia no caráter restaurador do evangelho.

Perceba que as opiniões divergem bastante. Por isso, cada cristão deve estudar a Palavra, orar e buscar orientação pastoral séria antes de tomar qualquer decisão.

Conclusão: Cristão Pode se Divorciar e Casar de Novo?

Ao refletirmos sobre o que Jesus disse sobre divórcio, percebemos que o coração de Deus sempre foi pela preservação do casamento. O divórcio nunca é o ideal, mas em alguns casos a Bíblia reconhece a dureza da vida e permite a separação.

No entanto, é importante destacar que a história de cada casal é única e complexa. Antes de qualquer decisão, deve-se buscar restauração, perdão e reconciliação. Mas, se isso não for possível, devemos lembrar que a graça de Deus está disponível. Ele é poderoso para perdoar, restaurar corações feridos e conduzir os Seus filhos em amor.

Se você já passou por um divórcio crente, não está sozinho. Deus não rejeita os quebrantados, e Cristo continua sendo suficiente para trazer vida nova. E você, como entende esse tema? Compartilhe sua opinião nos comentários para enriquecermos ainda mais a reflexão.

2 Comentários

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  1. A paz do nosso Senhor Jesus.
    Na minha opinião, se houve o divórcio por causa da infidelidade matrimonial (fornicação sexual), neste caso pode sim, casar de novo, porém se for por qualquer outro motivo, neste caso acho que não, porque Jesus foi claro quando disse: Mateus 19:9 Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
    https://bibliajfa.app/app/acf/40N/19/9
    Para mim, a única regra de excessão é a fornicação.
    Quanto lá em 1ª Coríntios 7.12-16, o Apóstolo Paulo, enfatiza buscar sempre a reconciliação, contudo se houver a separação, o crente está livre do matrimônio, porém não fala em permissão de casar de novo.
    1 Coríntios 7:12 Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. 13 E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. 14 Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos. 15 Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. 16 Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher?
    https://bibliajfa.app/app/acf/46N/7/12
    Ou seja, a mulher ainda tem a opção de salvar o marido descrente, e o marido pode também salvar a mulher descrente, com o testemunho, porém se ambos se casarem de novo, que testemunho darão?

  2. Bom dia, a paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
    Na minha opinião, só existe duas regras de excessão, que é a infidelidade matrimonial através da imoralidade sexual, quanto a isso, Jesus foi bem claro:
    ⁹ Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Mateus 19:9.

    A outra regra é caso de separação por morte de um dos conjuges, que fala lá em Romanos 7.2-3
    ² Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.
    ³ De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro homem; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido. E ainda enfatiza o adultério, se o marido ainda viver. Romanos 7:2,3

    Já lá em 1ª Coríntios 7.12-16, pelo que pude enteder, o Apóstolo Paulo está falando tão somente da separação de corpos, mas coabitando debaixo do mesmo teto. Já no versículo 15, enfatiza a separação até do lar, por causa dos atritos no relacionamento, porém não fala de divórcio e nem tão pouco de permissão para casar de novo. E no versículo 16, enfatiza até o marido crente e a mulher crente, a salvar seus cónjuges através do testemunho, mas, e se eles se casarem de novo, que testemunho darão?
    Ass. Jorge