A Conversão de Mateus

Por Mardoni Leal

Lc.5:27-32
Com certeza Mateus já havia ouvido falar de Jesus; A pregação de João batista declarando a todos que Ele era o cordeiro de Deus, não do templo.
O endemoniado liberto na sinagoga de Cafarnaum, escândalo para os rabinos.
A pesca milagrosa no lago de Genesaré, que incluiu os do outro barco.
A discreta cura do leproso, sem as performances neo-pentecostais.
O paralitico que se levantou diante de todos em cura e perdão, o que gerou loucura na religião.
De modo que tudo isso vai gerando na mente de Mateus expectativas acerca de Jesus. Especialmente porque ele, Mateus, vivia na berlinda, em cima do muro; por um lado ele odiava o império, queria ver o fim dele, mas por outro lado dependia do império, era assalariado por ele, empregado de Roma. E é aí nesse contexto socioeconômico, de opressão e dependência que Jesus chega e diz: “Segue-me.” Ao que Mateus prontamente largou tudo e seguiu a Jesus.
Ora, tudo o que Mateus queria era largar tudo, só não largara ainda porque esse “tudo” era tudo o que ele tinha, e sem esse tudo ele não era ninguém.
Os judeus o odiavam, pois era insuportável “ver um dos nossos”, no caso dos deles, trabalhando contra Israel a serviço de Roma.
Portanto a vida de Mateus só fazia sentido no sentido que era atribuído a ele pelo império romano. Ele era cobrador de impostos e fora isso ele não era nada.
Ele já não era mais visto como um ser-humano, mas como um ser-servidor. Não era mais bem vindo na sinagoga, na feira, no templo, nas festas, até as ofertas dele eram vistas com maus olhos. Até mesmo o nome dele fora relativizado, visto que todos o conheciam como Levi.
Isso que eu digo tanto é verdade que quando ele da uma festa pra Jesus, os convidados são todos colegas de trabalho, todos cobradores de impostos como ele, o que indica que fora esses ele quase não se relacionava com mais ninguém.
Ele não tinha amigos fora do arraial da profissão. Mateus não sabia mais se relacionar com quem não fosse do ambiente profissional.
Com o passar do tempo, com tanta solidão e rejeição, vai sendo gerado no coração dele o desejo de sair disso tudo. Afinal de contas quem é que suporta passar todos os dias da vida sem viver, sem se alegrar, chega uma hora que a alma diz basta, e o que surge na mente é ódio; ódio do trabalho, ódio de Roma, ódio dos colegas, ódio de si mesmo, ódio do mundo, e tudo o que se quer nessa hora é largar tudo, mas não dá pois esse tudo embora não signifique nada é tudo o que se tem.
E é nessa hora, que traz consigo a soma de todas as horas, vividas e não vividas, mas que já são temidas antes de serem; que o Messias vem;
Vêm pra João batista, pros endemoninhados, pro paralitico, e vêm pra ele; “segue-me”.
Era tudo o que Mateus precisava ouvir. O convite do evangelho, o apelo irresistível da graça.
O seguir a Jesus traz para Mateus não uma saída, ou uma solução mágica, mas oferece a ele a alternativa de SER alguém em Deus. Mateus descobre que na casa do Pai há muitas moradas, e de certo uma morada pra ele.
Mateus discerne a possibilidade de ser alguém além da função, do cargo, de se relacionar, celebrar, e voltar a viver a própria vida.
Em Jesus ele volta a ser gente outra vez, sua auto-estima e dignidade são devolvidas, ele agora sabe o que é ter amigos, e, sobretudo o que é ter Jesus como amigo.
Mas Mateus não é desses que ficam enclausurados no grande achado. Ele não só segue a Jesus, como também leva outros a segui-lo;
Ele dá uma festa pra Jesus e convida a turma lá da firma pra participar.
E assim o segue-me de Jesus, pessoal e objetivo passa a ter um significado coletivo e de possibilidades diversas. É por isso que o impulso natural de todos aqueles que são encontrados pela graça é o de cooperar para que outros venham a ter este encontro. E é quando o seguir a Jesus adquire contornos de expressões publicas e festivas, que aparece a religião carregada de ciúmes e preconceitos, porque Mateus recebeu cura e graça fora da tutela dela.

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3 Comentários

  1. Obrigado por esta palavra meu irmão..q Deus o bençoe.

  2. milton

    suas palavras me dão forças para continuar não pare de escrever e não pararemos de continuar tendo forças …Deus te abençoe

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